Por Rubem Gonzalez

O Colégio religioso (?) Marista Champagnat de Porto Alegre, num desses arroubos da nossa classe média normalmente abastada e cleptômana contumaz, achou genial e um achado fazer uma festa chamada de "Se nada der certo" aonde, num evento, que não sei qual foi, aqueles seres andróginos, que não sobreviveriam duas horas na periferia do Rio de Janeiro, foram fantasiados de ......Trabalhadores.

Provavelmente, para esse tipo de adubo ruim - que costuma se autoproclamar a elite, que sustenta a sua boa alma doando farrapos velhos e comida vencida da despensa ou fazendo selfies dando pratos de sopa com cara de lavagem para miseráveis nas noites frias - trabalhar seja o fim da picada, a fronteira final, de onde não se pode enxergar vida após esse ponto.

Eu, se fosse morador da cidade, mandaria para esse colégio três simpáticas réplicas em forma de maquete, cada uma diferente da outra. Uma, retratando uma guilhotina, outra, de uma forca padrão e, por último, um bem arranjado paredón, todas com uma explicação detalhada, que existe algo bem maior quando as coisas não dão certo de verdade, e iria sugerir um reforço nas aulas de história.

É por essas e outras que se eu fosse alguém na vida, ou se por um estalo de genialidade a humanidade optasse pela saída mais óbvia de me eleger seu imperador vitalício, eu iria obrigar todas as escolas a incluírem na grade curricular a obrigação de todos os alunos serem obrigados a assistir a uma necrópsia por semana durante todo o ensino fundamental e médio.

Iria servir para que todos, desde a mais tenra idade, descobrirem que negros, brancos, mulheres, homens, lésbicas, gays, trans, enrustidos, sádicos, pobres, ricos e bilionários são feitos da mesma matéria e que o fim de todos nós é o mesmo e, quem sabe, com implementação, ainda esse ano, de uma matéria tão enobrecedora como essa, não desse para salvar essa raça que acha que trabalhar é o pior que pode acontecer a alguém.

Só para ilustrar melhor, esses restolhos humanos deveriam saber que aquele seriado famoso que eu também assisto, chamado Walking Dead, não é sobre zumbis porra nenhuma, haja vista que essa palavra não é citada uma única vez em toda a série, jamais em capítulo algum a palavra zumbi é pronunciada, é o inconsciente coletivo que, por associação, faz esse jogo.

Na realidade, a série é uma analogia aonde aqueles monstros esfarrapados são exatamente esses caras retratados jocosamente como derrotados pelos janotinhas e suas barbies, eles são os pobres, os fudidos do mundo e que se cansaram de tudo, descobriram que eram os donos da bola e do campo e decidiram terminar com a brincadeira.
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