A injustiça que impera contra a classe trabalhadora

Por Mírian da Rocha*

Sou professora há 24 anos, tenho quase 56 anos, vislumbrando a aposentadoria. Trilhei todos os caminhos para ministrar aulas. Cursei 4 anos de magistério, mais 4 do curso de História na UEG, tendo sido aprovada em Primeiro lugar, daí veio a Pós-graduação em Docência do Ensino Superior e, por último, o Mestrado em Formação de Professores. 

Deveria estar pulando de alegria, mas o sentimento é o oposto, perdi a titularidade, deveria receber quase 6.000,00 (rica) rs, mas não é essa a realidade. Os descontos de empréstimos para a categoria para financiar casa, carro, uma viagem ou arcar com despesas em casos de doenças, são exorbitantes. 

Eu, em particular, recebia 3.000,00. Fui afastada pela Junta Médica para tratamento psicológico/psiquiátrico, então, passo a receber 2.800,00; ah, e hoje ao visualizar meu contracheque só 1.700,00. Volto a trabalhar doente, em pleno tratamento, ou me cuido e vejo meu salário cair cada vez mais, porque com as mudanças governamentais "qualquer" licença não pode ser remunerada.

Sei que tenho aqui muitos colegas, por favor leiam e façam circular. Se fosse algo corriqueiro e banal ultrapassaria muitos milhões de curtidas. Quisera eu ir para o youtube, para as mídias, mas nossas vozes se calam ou não encontram ressonância nos diversos seguimentos da sociedade. O que tem calor e desperta interesse são os escândalos e espetáculos generalizados. 

De antemão, agradeço quem curtir e compartilhar, afinal, é uma trabalhadora como tantas(os) que desabafa aqui, que imaginou aposentar, ter uma velhice digna e vê tudo se dissolvendo, tipo, escorrendo pelas mãos. Formamos todas as demais categorias, e encerramos doentes, sem crédito, desvalorizados e buscando outro meio de vida. 

Mírian da Rocha é Mestre em Formação de Professores e professora da rede estadual na cidade de Caldas Novas - Go.

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  1. Este é mais um fato entre tantos outros que nos revolta como trabalhadores, como cidadãos e como brasileiros.

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    1. Verdade, Vera! São muitos trabalhadores de várias categorias que adoecem e, quando mais precisam de que seus direitos sejam respeitados e garantidos, que seus salários sejam mantidos integralmente, o estado, os patrões lhes viram as costas. Precisamos nos unir mais do que nunca.

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Bate-Papo vermelhô

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