"Quando eu tiver setenta anos, então vai acabar esta adolescência. Vou largar da vida louca e terminar minha livre docência. Vou fazer o que meu pai quer, começar a vida com passo perfeito. Vou fazer o que minha mãe deseja, aproveitar as oportunidades de virar um pilar da sociedade e terminar meu curso de direito. Então ver tudo em sã consciência, quando acabar esta adolescência..."

O poema acima, "Quando eu tiver setenta anos (link is external)", foi escrito pelo escritor e poeta Paulo Leminski que, infelizmente, não chegou à idade: morreu em junho de 1989, aos 44 anos, vítima de uma cirrose hepática. Mas hoje, quando completaria os tais 70, deixa a certeza de que cumpriu sua vontade: viveu eternamente jovem, assim como versou em seus poemas.
Paulo Leminski (link is external) nasceu no dia 24 de agosto de 1944, em Curitiba, no Paraná. Foi diretor de criação, redator publicitário, tradutor (além do português, falava inglês, francês, latim, grego, japonês e espanhol), professor de História, de Redação, e, quem diria, de Judô também. Mas sua contribuição para a cultura literária e musical brasileira superou, em sua vida, todas as suas inúmeras profissões formais, nos brindando com obras poéticas, quase 50 músicas, obras infantis, livros, biografias, sem contar os ensaios, as traduções e as inúmeras produções musicais.

Com sua poesia (link is external), teve grande influência dentro da Música Popular Brasileira. Autor da polêmica música Verdura (link is external), gravada por Caetano Veloso em 1981, ele retratou os tempos em que o Brasil passava pelo Regime Militar. Contribuiu com outros artistas como Moraes Moreira e a com a banda A Cor do Som. Ainda hoje, é cantado por ícones da música como Zélia Duncan, Chico César, Arnaldo Antunes, entre outros.

Por todo conhecimento histórico e filosófico que acumulou em vida, também por lecionar História, sua prosa teve grande densidade, sem perder a irreverência. No livro Catatau (link is external) (1975), Leminski conta como teria sido uma experiência alucinógena do filósofo e físico francês René Descartes (link is external) se ele tivesse vindo ao Brasil durante a Invasão Holandesa (link is external). O livro "Agora é Que São Elas (link is external)" também gerou polêmica por seu controverso modo de escrever, chegando a ser descrito como "prosa leve e safada, mas também muito reflexiva [...] feito para anarquizar as normas da ficção e fazer o leitor experimentar, sem amarras, a invenção literária" (link is external).

Documentário sobre vida e obra de Paulo Leminski. Depoimentos de Horoldo de Campos, Alberto Cardoso, Leyla Perrone, Boris Schnaiderman, Paulo Vítola, entre outros. Narração do ator Paulo José.

http://liricoleminski.blogspot.com.br/

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