Enquanto a sexta-feira (15) é marcada pela ebulição das ruas em manifestações e trancaços por todo o país, em Brasília a mobilização para a luta é permanente.



Por Mídia NINJA por 16/04/216 

Até a tarde deste quinto dia de ocupação no Acampamento Nacional pela Democracia e Contra o Golpe, mais de 3,5 mil pessoas já compartilhavam a rotina diária nas proximidades do estádio Mané Garrincha.

Com a chegada acelerada de novas caravanas de todos os estados e movimentos populares, a coordenação das frentes Brasil Popular e Povo sem Medo estima que o total de residentes pode chegar a mais de 15 mil no domingo. Somente a UNE e a UBES contabilizam, nesta sexta, a integração de 1,5 mil estudantes ao acampamento até o final do dia.


“A mobilização é crescente. A cada turno chega mais gente e o povo do entorno de Brasília tem sido muito solidário”, explica Rafaela Alves, do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e integrante da coordenação do acampamento.

Unidade e luta

Para o ato de domingo, são esperados mais de 200 mil manifestantes pela democracia e contra o golpe. “O muro erguido no Congresso representa muito bem a luta de classes, que sempre existiu e agora se materializa”, comenta Rafaela. Ela também avalia positivamente o clima de paz no acampamento. “Está sendo um processo bonito. A unidade na luta entre tantos movimentos é tão consciente, tão madura, que os problemas não tem espaço. As convicções são maiores”, conclui.


Ao todo, 67 movimentos, centrais sindicais e partidos participam da ocupação e realizam a gestão coletiva dos espaços. Barracas desvinculadas de movimentos organizados também crescem em número com a aproximação da votação do processo de impeachment, domingo (17). Antes, o ponto alto da programação é a visita de Dilma Rousseff, agendada para as 10h deste sábado (16).

Se depender dos acampados, a democracia resiste e será plena. A comunhão dos diferentes movimentos do campo e da cidade estimula práticas de vivência coletiva e trocas materiais e afetivas. Da integração nos shows e eventos culturais às rodas de conversa, a horizontalidade permeia toda a rotina da ocupação.

Marco Antonio Baratto, do MST e também da coordenação, saúda a organização. “Estamos conseguindo ter um bom controle estrutural e organizativo. Quem vê de fora se surpreende com a construção coletiva e a capacidade de diálogo. Do ponto de vista político, estamos construindo bem os espaços com processos de formação e debate”, pondera Baratto.


Saberes coletivos

Cada caravana traz novas pessoas destacadas para diferentes funções: cozinha, cuidados com a saúde, segurança, comunicação e outras atividades. A ocupação inclui espaços de uso comum como a Tenda da Saúde Maria Aragão, uma área que integra os saberes populares e a medicina convencional para acolher e zelar pelo bem estar dos acampados.

"Aqui, não cuidamos de pacientes, mas de companheiros", explica Etel Matielo, uma dos dezenas de cuidadores que integram as escalas de trabalho, atendendo diariamente das 6h às 23h. A tenda foi batizada em homenagem a Maria Aragão, mulher, negra e maranhense que se formou em medicina no Rio de Janeiro na década de 40, desafiando os padrões e preconceitos de gênero, cor e classe profissional.


Já nas cozinhas coletivas, poucas dezenas de pessoas são responsáveis por garantir a alimentação de milhares. Cleusa Maria dos Santos veio de Unaí, Minas Gerais, e prepara ao lado de três companheiras mais de 30 kg de comida por dia. No cardápio do almoço, tutu mineiro com direito a feijão, torresmo, farofa, abobrinha e carne de panela.

A lida começa cedo, às 6h, quando cozinheiros destacados para a função iniciam os trabalhos do café matinal, servido próximo das 7h. Na sequência, panelas ao fogo e os esforços se voltam para o almoço. Lanche da tarde e o janta também entram na conta.

A prioridade de cada cozinha é alimentar os companheiros de caravana, mas compartilhar é a ordem de todos os dias. Segundo Cleusa, não se nega uma refeição ou um café quente. "Tendo comida, todo mundo come", conta.






Doações

Os bens alimentícios vêm de doações realizadas por entidades e pessoas solidárias que visitam o acampamento. Dois espaços do MST e da CUT organizam a recepção, separação, contagem e distribuição dos donativos. Kits são montados de acordo com o número de cozinhas, e cada núcleo tem um coordenador responsável por levar os bens que serão usados na alimentação e higiene dos acampados.

Com o aumento diário no número de pessoas, qualquer ajuda é bem-vinda. A maior demanda é por alimentos, em especial carnes e legumes, mas é possível auxiliar com utensílios de cozinha, barracas e colchões, entregues diretamente no acampamento. Há, ainda, uma conta em nome da CUT na Caixa Econômica Federal para receber contribuições financeiras (Agência 0002 | OP 003 | Conta corrente 4668-5).

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  1. Muito bonito. È o Brasil de verdade se manifestando!!!!!!

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  2. os calhordas da Paulista em frente a FIESP comem filet dado comprado com a sonegação ai nos acampamentos tudo é da solidariedade revolucionária desse povo maravilhoso e inteligente NÃO VAI TER GOLPE.

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  3. Comovente! Emocionante! É gente humilde ... que vontade de chorar. NÃO TEVE GOLPE!

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