Do Opera Mundi em 03/02/2016
O chefe da Europol, agência de inteligência policial da União Europeia, declarou que mais de 10 mil crianças e adolescentes refugiados desapareceram após entrar na Europa nos últimos dois anos. É a primeira vez que a Europol fornece uma estimativa continental sobre o número de refugiados menores de idade desaparecidos no continente.
Segundo Brian Donald, em entrevista ao jornal britânico Observer publicada neste domingo (31/01), as crianças e adolescentes foram registradas ao entrar na UE e as autoridades não sabem onde elas se encontram. A Europol teme que elas tenham sido forçadas a trabalhar para redes criminosas que promovem a exploração sexual e a escravidão de refugiados e imigrantes.
Cerca de 5 mil crianças desapareceram na Itália e outras 1.000 na Suécia, disse Donald. “Nem todas elas serão exploradas criminosamente; algumas podem ter sido recebidas por familiares. Mas não sabemos onde elas estão, o que estão fazendo e com quem estão”, disse o agente.
De acordo com a organização Save the Children, cerca de 26 mil crianças e adolescentes desacompanhados entraram na Europa no último ano. Já a Europol calcula que 27% das cerca de 1 milhão de pessoas refugiadas que chegaram ao continente em 2015 eram menores desacompanhados. “Estejam elas registradas ou não, estamos falando de 270 mil crianças. Nem todas estão desacompanhadas, mas também temos evidências de que grande parte delas estejam”, afirmou Donald.
O chefe da Europol confirmou que a agência tem evidências de que algumas crianças e adolescentes que chegaram desacompanhados na Europa tenham sido exploradas sexualmente. “Toda uma infraestrutura [criminosa] se desenvolveu nos últimos 18 meses em torno da exploração do fluxo de refugiados”, disse ele.
A Europol também tem documentado um cruzamento entre as redes de traficantes de pessoas que ajudam refugiados a chegar na Europa e os grupos que as exploram em redes de escravidão e exploração sexual.
Em entrevista à BBC, o porta-voz da Organização Internacional para a Migração (OIM), Leonard Doyle, afirmou que as estimativas da Europol são “chocantes mas não surpreendentes”. “Esperamos que a UE aloque recursos com o objetivo de encontrar essas crianças, ajudando-as e reunindo-as com suas famílias.”
O OIM declarou na última sexta-feira (29/01) que 244 refugiados morreram afogados no mar Mediterrâneo nos primeiros 29 dias do ano, que viram 55.568 refugiados chegarem à Europa.

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