Via Revista Fórum em 18/02/2016

Não há curso mais elitista que o de Medicina no Brasil. De acordo com o professor Marco Akerman (FSP):

“Em uma faculdade de Medicina, os professores titulares são quase todos brancos, não há professores negros. E quase todos são homens. Então eu vou me formando dentro de uma cultura machista, de uma elite branca. O ‘currículo oculto’ vai me conformando como alguém que não sabe o ponto de vista do negro, da mulher, do pobre. Você cria um ponto de vista próprio, então se dá o direito de fazer tudo”, explica Akerman (FSP), outro importante estudioso do tema. 

No artigo “‘Currículo oculto’: há que se evidenciar ainda mais a sua associação com preconceitos, abusos, humilhações e violências nas escolas médicas”, publicado em 2015, o professor define a expressão como “um conjunto de tradições, valores, normas, regras, rotinas que não estão escritas em nenhum documento da escola, mas que são transmitidas, conscientemente ou inconscientemente, entre professores e estudantes, e que podem gerar tanto um ciclo virtuoso quanto um ciclo vicioso de atitudes e ações que podem marcar o corpo e a alma dos estudantes durante o período escolar, ou para o resto do tempo de vida fora da escola”.

Agora, filhos de assentados do Movimento dos Trabalhadores sem Terra estão prestando ENEM e entrando no templo sagrado da fina flor da elite brasileira. Lembrem-se da reação do CNM e dos CRMs contra os Mais Médicos. Foi no Ceará o maior vexame que um grupo de médicas e médicos deram ao vivo e a cores, cuspindo e xingando médicos negros cubanos.

As 20 universidades públicas construídas por Lula e Dilma não têm mais nos seus cursos de elite apenas homens brancos bem nascidos. Elas passaram a receber homens e mulheres negros, filhos de pedreiro, filhos de lavadeiras, filhos de assentados.

Eles vêm das favelas e dos campos da luta pela reforma agrária, os filhos do Brasil invadem por direito espaços onde antes só poderiam adentrar como trabalhadores braçais e ousadamente se sentam nos bancos universitários. Essa elite herdeira da escravidão não pode admitir tamanha afronta.

Marcondes Guedes, filho de assentado é fruto de políticas públicas dos governos trabalhistas de Lula e Dilma, ele sempre estudou em escola pública, concluiu o ensino médio na unidade do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) que fica na cidade do Crato, instituto este que faz parte dos quase 400 criados nos governos Lula e Dilma. E Estudará numa universidade pública federal criada pelos governos Lula e Dilma. Há mérito deste jovem em aproveitar a oportunidade que governos reacionários nunca deram. Mas sem bons institutos de educação básica e sem a construção de universidade pelo interior do Nordeste e do restante do país, Marcondes não teria como se tornar médico.

Isso explica seu ódio lancinante contra Lula e Dilma e toda a articulação da Mídia ao Judiciário, passando pelo MP, adentrando os Conselhos Nacionais de profissões elitistas para, a todo custo, apear governos trabalhistas, destruir a moral e a memória de suas lideranças para nunca mais ousarem mexer na lógica da Casa Grande e Senzala. Não passarão!

Filho de assentados do MST fará medicina em universidade criada por Dilma
Por Luana Spinillo, da Agência PT de Notícias

09/02/2016

Foto: MST


Marcondes Guedes nasceu e morou no Assentamento 10 de Abril, no Crato (CE), até os 15 anos. Ele vai estudar na Universidade Federal do Cariri

O sonho de ser médico acompanha o estudante Marcondes Guedes, de 19 anos, ex-morador do Assentamento 10 de Abril, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Crato (CE). Ele nasceu e morou no local até os 15 anos de idade. “Sempre quis fazer medicina. Desde criança esse é meu sonho, acho que por influência da minha mãe, que era agente comunitária de saúde”, conta o morador do município do sertão do Ceará.

No dia 18 de janeiro, Marcondes deu um importante passo para transformar o sonho em realidade. Ele conquistou uma vaga no curso de Medicina na Universidade Federal do Cariri (UFCA), no Ceará. “Nesse momento, tenho a certeza que a minha vida mudou completamente. Ainda não consigo definir em palavras a emoção de ter passado no curso que quis desde criança e ainda por cima em uma universidade pública”, explica o jovem.

Criada pela presidenta Dilma Rousseff em 2013 com o objetivo de promover a inclusão social, o desenvolvimento da região e a interiorização do ensino superior, a UFCA surgiu do desmembramento da Universidade Federal do Ceará e tem, atualmente, cinco campi nas cidades de Juazeiro do Norte, Barbalha, Crato, Brejo Santo e Icó.

“Escolhi a Universidade do Cariri por ser mais próxima de onde moro, mas também porque sempre passava por lá e via os prédios e dizia a mim mesmo que estudaria lá um dia. Acho que se não tivessem criado essa universidade aqui, seria muito complicado pra mim, dificultaria muito os meus estudos”, avalia Marcondes.

O futuro médico sempre estudou em escola pública e concluiu o ensino médio na unidade do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) que fica na cidade do Crato. O deputado estadual e presidente do Partido dos Trabalhadores de Fortaleza (CE), Elmano Freitas, lembra a importância da criação do Instituto Federal do Crato pelo governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Em seu percurso, Marcondes teve a oportunidade de estudar no Instituto Federal na sua cidade, que passou a existir graças a uma política do governo federal na época do ex-presidente Lula. A Universidade Federal do Cariri também não existia”, afirma o petista, que foi advogado do Assentamento 10 de Abril.

Para Freitas, a interiorização dos ensinos técnico e superior públicos, como acontece hoje no Crato, foi fundamental para o desenvolvimento local e é uma grande oportunidade para todos os jovens da região. “E isso foi feito pelos governos Lula e Dilma, que garantiram os Institutos Federais, o Enem, as Universidades Federais no interior”, completa Elmano.

“Mudança de possibilidade” - A conquista de Marcondes, na avaliação de Elmano Freitas, é resultado do esforço pessoal do estudante, mas também com as oportunidades criadas pelos governos do PT. Para o petista, o exemplo do adolescente serve de exemplo e inspiração para outros.



“É uma mudança da possibilidade de vida desses jovens e de suas famílias, porque acaba influenciando na renda familiar, na autoestima da família, serve de exemplo para a sua comunidade, para outros jovens da sua cidade, e mais especificamente essa possibilidade de fazer faculdade abre uma possibilidade e demonstra o acerto na política do PT de garantir oportunidade para todos”, ressalta.

O deputado, que como Marcondes também é filho de agricultor e teve uma infância simples no interior do Ceará, rememora os seus tempos de estudante. “Eu sou de uma geração que quando nós queríamos fazer faculdade tínhamos que ir para Fortaleza, e aí as famílias não tinham como manter seus filhos na capital, por isso que os jovens acabavam no máximo concluindo o ensino médio”, destaca.

“Marcondes é a cara dessa nova geração fruto desse trabalho dos governos Lula e Dilma. O exemplo que isso passa é: Lula pode ser presidente, Marcondes pode ser médico, portanto eu posso ser o que eu quiser ser”, finaliza Elmano.

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