Entreouvido na Vila Vudu:


É ler e aprender: em vez do xororô infindável dos petistas sempre na toada do “como nos perseguem…” e “E se o ladrão fosse petista?” (que é como assinar muito imbecilmente uma declaração de que haveria zilhões de ladrões petistas), melhor começarmos a entender e mostrar que “a demonização infindável de Lula e Dilma é sinal de que o Grupo GAFE (Globo-Abril-FSP-Estadão) foi derrotado e teme ser novamente derrotado. 


A Band ‘noticiava’ hoje q Lula teria sido convocado a depor ‘porque’ encontraram irregularidades “no prédio ao lado da residência do petista” – acredite quem quiser! :-D)))))) 

Esse tipo de tresloucamento ‘midiático’ suposto ‘jornalístico’ é prova de derrota política e de medo de mais derrota, não de grande força ante a qual todos nos deve(ria)mos borrar de medo. Kissinger dixit.  [Pano rápido].
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A Washington oficial influencia a opinião dos eleitores norte-americano sobre política exterior e assuntos mundiais, sempre, infalivelmente, com demonizar governantes estrangeiros, fazendo-os objeto de repugnância e ridículo. – E assim os EUA supõem que justifiquem suas ‘estratégias’ golpistas, chamadas de “mudança de regime”. É brincadeira macabra, especialmente perigosa se atentada contra a Rússia, grande, forte, respeitável e armada com bombas atômicas.



Dia 16 de janeiro passado, no quartel-general da campanha de Hillary Clinton em Iowa, encontrei Madeleine Albright. Está diferente do que recordo dela quando foi a primeira mulher a servir como Secretária de Estado dos EUA, no governo de Bill Clinton. Está menos imponente que antes, com ares, mais, de coruja de celeiro procurando abrigo, no duramente gelado inverno de Iowa.

Secretária Albright fazia-se de propagandista de Hillary. Naquele sábado, falou a voluntários, para estimulá-los a pintar cartazes e fazer telefonemas por Hillary. Senti que a secretária Albright estava em Clinton, Iowa, para energizar eleitores mais velhos, enquanto no mesmo fim de semana Chelsea Clinton estava em Davenport, apelando aos eleitores mais jovens.

Mas me ocorreu que Albright poderia ser boa fonte, que me daria alguma ideia das perspectivas de Hillary para a política externa. Em suas memórias publicadas em 2014, Hard Choices, Hillary identifica Albright como “amiga de muitos anos e parceira na promoção de direitos e oportunidades para mulheres.”

Perguntei à secretária Albright o que ela aconselharia Hillary Clinton a fazer, em negociação com o presidente Vladimir Putin da Rússia. Respondeu-me que os EUA devemos continuar a falar com Putin, mas temos de saber que é homem que, se tiver oportunidade, expandirá a influência dos russos. Albright disse que devemos “traçar a linha”, quando “homenzinhos verdes” invadem outros países (presumo que falasse de eventos na Crimeia em 2014).

A secretária Albright falou de quando acompanhou Bill Clinton, em junho de 2000, a uma reunião com Putin. Ela usou um broche com os três macacos, “Não ouvir o mal, não falar o mal, não ver o mal.” Putin perguntou por que usava o tal broche: “Sempre observamos os broches da secretária Albright. Por que os macaquinhos?”

Albright disse que respondeu “por causa de suas políticas do mal na Chechênia”. Putin não achou graça. “Os chechenos não lhes dizem respeito”. O presidente Clinton, na versão Albright, olhou para ela como se dissesse “Você enlouqueceu? Você acaba de fazer gorar o encontro!” 

Em retrospecto, o incidente do broche dos macacos pode até ser recordado por algum suposto lado engraçado, mas o mais provável é que a secretária Albright tenha subestimando grosseiramente tanto o simbolismo dos macacos quanto a inteligência dos russos. É exemplo, em todos os casos vergonhoso, de falta de tato e diplomacia zero, num dos primeiros encontros entre Bill Clinton e o novo presidente da Rússia.

Na Chechênia, Putin estava combatendo uma insurgência de jihadistas islamistas violentos, associados a Osama bin Laden. Essa é a razão pela qual Putin foi dos primeiros governantes em todo o mundo a manifestar apoio e simpatia pelos EUA, depois do 11/9. Aí está a triste, vergonhosa ironia, do broche de Madeleine Albright. E que em 2016 ela ainda recorde essa história como ‘momento pitoresco’ é ainda mais preocupante.

Num jantar de assentos a $1,500 cada, em março de 2014, no início da crise da Ucrânia (depois que um putsch apoiado pelos EUA havia derrubado o presidente eleito Viktor Yanukovych e quando russos étnicos estavam sendo atacados no sul e no leste pelo novo regime e buscando a proteção da Rússia), Hillary disse, sobre a reação de Putin: “Se parece familiar, é porque foi o que Hitler fez nos anos 30s. (…)

Os alemães, alemães étnicos, alemães por descendência que estavam em locais como Tchecoslováquia e Romênia e outros locais (sic), e Hitler só fazia repetir que não eram bem tratados, tenho de proteger os alemães”.

Em 2014, Bill Clinton disse que “Putin quer restabelecer a grandeza da Rússia, não em termos da Guerra Fria, mas em termos do império do século 19.”

Em Hard Choices, Hillary devota um capítulo inteiro a “Rússia, Reset e Regressão,” sobre suas questões com Putin. Narra experiências esquisitas em negociações com Putin, e parece frustrada com suas relações de trabalho em que Putin chefiava a delegação russa, nas discussões.

Mas, estranhamente, ela não faz, por escrito, qualquer comparação entre Putin e Hitler. Diferente disso, recomenda “o botão ‘pausa'”, em vez de “botão ‘reset’“, e acrescenta: “Temos de usar o botão ‘pausa’ em novos esforços. Não parecer muito ansiosos por trabalhar juntos. Nada de lisonjear Putin com alto nível de atenção. (…) E garantir que a intransigência dos russos não nos impeça de buscar nossos interesses na Europa, Ásia Central, Síria e em outros pontos difíceis. Força e firmeza sempre foram a única linguagem que Putin entende.” 

Li e pensei “Chega! Isso tem de acabar! Basta dessa violência de demonizar governantes que não sejam ‘os nossos’! Até quando irão as referências imbecilizantes a ‘ele, aquele’, o homem cujo nome não se pronuncia, o senhor das trevas lord Vladimir’?!”

O ex-secretário de Estado Henry Kissinger, digam dele o que disserem, sempre foi negociador brilhante. Recentemente, Kissinger disse que essa demonização sem fim revela um fracasso de política externa.
Os norte-americanos não estamos votando para presidente da Rússia. Esse é direito dos russos, que vivem na maior nação do planeta, com dez fusos horários e arsenal nuclear comparável ao dos EUA.

A história russa começa 400 anos antes de os nativos norte-americanos terem visto o primeiro homem branco. Os russos são tão bem educados quanto os norte-americanos e, de modo geral, falam mais línguas estrangeiras que nós. Se as questões climáticas do Ártico são problema grave, é imperioso que EUA, Canadá e Rússia se entendam.

O que os norte-americanos podemos fazer é eleger presidente capaz de fazer a paz com qualquer presidente russo. Ainda há muitas perguntas importantes, sobre paz e diplomacia, que ninguém perguntou e ninguém respondeu no ciclo eleitoral de 2016 nos EUA.******

Fonte: http://navalbrasil.com

Consortium News

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