"Dizem que sou um velho pobre, mas pobres são eles que andam desesperados pagando contas e se tornam consumidores de coisas secundárias", diz Mujica. Ex-presidente uruguaio também afirmou que integração na América Latina não é "sonho bolivariano", mas um grito de "socorro"

Via Pragmatismo Político em 28/01/2016

“Não faço apologia à pobreza, faço apologia à liberdade. Dizem que sou um velho pobre, mas pobres são eles que andam desesperados pagando contas e se tornam consumidores de coisas secundárias”, afirmou o ex-presidente do Uruguai José ‘Pepe’ Mujica em evento na Colômbia.

A declaração do líder uruguaio — conhecido pelo seu estilo de vida austero — ocorreu durante a sétima edição da Clacso (Conferência Latino-Americana e Caribenha de Ciências Sociais) na cidade de Medellín, na Colômbia.

Durante seu discurso, Mujica pediu que os governantes não sejam “fracos” na hora de tomar decisões políticas e sublinhou que há uma “crise colossal” no mundo que só pode ser solucionada com medidas em favor da “igualdade”, contra a “pobreza” e pela sustentabilidade.

No evento, ele também defendeu que a a integração é “imprescindível” para o desenvolvimento da América Latina e para protegê-la de “monstros” como os Estados Unidos e a Europa.

A um público de milhares de pessoas, Mujica lamentou que “apenas” 20% do comércio exterior na América Latina seja “interregional”. Aos seus olhos, não se trata de um “sonho bolivariano”, mas de um grito de “socorro”, pois a América Latina precisa de “algo comum que nos defenda”.

“Passamos 200 anos fazendo comércio com todo o mundo e de costas para nós mesmos. Fazemos muitos discursos de integração, mas, no ponto de vista prático, fazemos muito pouco”, comentou o ex-presidente uruguaio.

O tema da integração regional tem sido recorrente nos discursos de Mujica nos últimos tempos. No fim de outubro do ano passado, o líder uruguaio disse, em palestra em Paris, que a Europa estava centrada em seus próprios problemas internos e apresentava uma “falta de vontade” para estabelecer um acordo comercial com a América Latina. “A Europa não está à altura da civilização que criou”, sintetizara, na ocasião.

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