Por Rogerio Dultra dos Santos

“Senhor, quantas vezes poderá pecar meu irmão contra mim, para que eu lhe perdoe? Será até sete vezes? Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete vezes. (Mateus, XVIII: 15, 21e 22)”

O Juiz Sérgio Moro, vestal impoluto da República do Paraná, que promete limpar o Brasil da corrupção, provavelmente não seria perdoado pela matemática de Jesus.
Aparentemente com uma remuneração bem acima do permitido pela Constituição, o juiz federal supostamente recebe por mês, em média, R$ 77.000,00 (setenta e sete mil reais).
Por ano, incluído o 13º salário, Sérgio Moro, funcionário público, retiraria, nada mais, nada menos, que R$ 1.001.000,00 (hum milhão e hum mil reais), segundo o Deputado Federal Wadih Damous em fala na tribuna da Câmara dos Deputados, no dia de ontem, 20 de agosto.

Pelas contas bíblicas, o juiz Moro embolsaria mais que o dobro do que o razoável para o perdão.
Na verdade, mais que o dobro do salário da Presidência da República.

Mais de 100 vezes o salário mínimo mensal de um trabalhador comum.

Qual é o problema de remuneração tão excelsa? São vários. Um deles é que ninguém hoje pode saber disso.

O Poder Judiciário é o único da República que não é transparente. O Poder Executivo e o Poder Legislativo têm expostos os salários de seus servidores a dois cliques da web.

E o pior é que o suposto recebido pelo juiz Moro nem mesmo é o mais escorchante e pornográfico.

Afinal, ele é apenas um juiz de primeira instância.

Existem juízes e desembargadores que abiscoitam bem mais que parece ganhar o juiz Sérgio Moro.

O salário de qualquer um Desembargador, dizem, é maior que o suposto ordenado de Moro, que é Juiz Federal.

A faxina ética que o Juiz pretende fazer no país deveria começar pelo dinheiro que parece receber, com a plácida anuência para a incorporação de penduricalhos – ou pixulecos, como queiram denominar – como o auxílio moradia, o auxílio taxi, o auxílio educação ou quaisquer pretextos contábeis que colaboram para violar o limite constitucional dos salários do funcionalismo público.

Seja no judiciário Estadual, seja no judiciário Federal, os ordenamentos dos magistrados fariam Jesus sentar e chorar.

Mas um bom cristão diria: quem nunca pecou, que atire a primeira pedra.

Se isto é verdade, se este juiz é um milionário às custas do contribuinte, e se quem nunca ganhou mais de R$ 77.000,00 por mês resolver atirar a primeira pedra, como outra parábola do Novo Testamento aponta, vai sobrar pouca gente para “limpar” o Brasil.

Afinal, limpar o país de quem mesmo?

Fonte: http://democraciaeconjuntura.com

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