Por Malu Aires


Quando ficou travado um novo turno pra disputa presidencial, recebi uma mensagem inbox do meu irmão coxinha, tão triste, tão ameaçadora que resolvi excluí-lo do meu convívio virtual, à partir dali, bloqueando-o pra sempre. Sinceramente, a minha paciência pra ele, já tinha passado da conta.

Acho uó excluir família do facebook, mas aquela mensagem inbox me chateou demais. Não queria dar espaço pra esse tipo de anti-relação com ele. Aquele descontrole verbal me fez enxergar o tamanho do ódio que a gente enfrentaria. Ódio que deprime qualquer bom coração apaixonado pela humanidade.

Fiquei dias imaginando que na guerra que ele propunha, a vitória que lhe traria tanto gozo, o meu lugar seria o pau de arara e o dele, rindo de mim.
Pedi muita coragem pros próximos dias.

Não demorou muito pra essa turma que pensa como ele, pedir 'intervenção militar', não é mesmo? E 'intervenção militar' na cabeça dessa gente adoentada significa, tortura e morte aos de esquerda (pessoas como eu).

Foram dias com aquela onda de ódio crescendo e gente que eu tanto quero bem, entrando nela. Insuflando mais ódio, incansavelmente.

Pra mim, não era um Brasil que se mostrava divido. Era uma sociedade que se mostrava doente, aflorando de forma vergonhosa, seu racismo, sua homofobia e seu machismo, escondidos na cínica campanha antipetista.

"Ah se esse povo ganhar, estamos todos fodidos" - pensava.
Ganhamos e, chegada a segunda-feira, mais gente, sangue do meu sangue, entrou na onda fascista paulistana, porque gente, quando tá cega de ódio, não admite derrota. Impeachment, separatismo, ódio aos pobres... nem ciclovia ficava de fora de tanto ódio que começava a ser compartilhado às 8 da manhã.
Aquele ódio tinha contaminado muitos na minha família, por pura falta de assunto.

Resolvi tentar conversar, argumentar que tanto compartilhamento de ódio da TV Revolta e dos corruptos cínicos do PSDB, só estava levando o brasileiro a sentir ódio do que ele não entendia, culpando quem a mídia queria pra esconder dos holofotes seus cúmplices da corrupção secular e que esse ódio iria bater na nossa cara, mais cedo, mais tarde... não adiantou. Tomados pelo vírus da violência, quanto mais pacifista você se apresenta, mais rápido te mandam à merda. E assim, fui bloqueada por gente sangue do meu sangue, que preferiu a amizade facebookiana de um Fernando Francischini, de um Álvaro Dias e até de um Aécio que a minha.

É muito comum se acreditar que coisas como essa terminam no Natal. Que nas festas que reúnem a família toda, tudo se esquece, tudo se apaga.

Se não for pra me pedir desculpas, me pedir perdão pela perseguição fascista e difamatória nesse último ano, mostrar profundo arrependimento por ter me trocado pelo tucanato criminoso da rede (gente que nem sabe que você existe no seu aniversário), já vou logo avisando: pode enfiar os três beijinhos de Judas no cu do Lobão.

E podem me esperar que tô chegando em São Paulo com caixas e caixas de presentes. Dentro, garrafinhas de água mineral com rótulo personalizado da marca "Bem Feito!".
Família é isso: vão ter que me engolir pra sempre.

Já água de privada suja e toda a merda que esse esgoto tucano trouxe às nossas vidas, poderiam ter escolhido não engolir.

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Bate-Papo vermelhô

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