Foto: Sérgio Vale/Secom




Quando ouvi que Lula estava na Biblioteca Pública de Rio Branco, a poucos passos do prédio onde trabalho, minha intuição me disse que eu não devia perder a oportunidade de vê-lo.
Como tenho aprendido que desprezar essa voz não é uma atitude inteligente, levantei-me e falei:
– Tô indo pra lá!
Alguns colegas me acompanharam e, já no grande salão térreo da biblioteca, fiquei a poucos metros dele, sempre rodeado de muita gente. E foi então que aconteceu um fato que me surpreendeu: percebi que uma forte emoção foi tomando conta de mim, e as lágrimas simplesmente rolaram.
Por quê? – eu me perguntava. Por que estou chorando ao ver o Lula?
Porque ele é uma lenda. Porque quando eu era criança, ele já  era uma liderança conhecida. Porque veio de um dos redutos mais pobres do país e chegou a ocupar o posto chefe da nação. Porque, após duras batalhas no movimento sindical operário, teve a ousadia de ser um dos fundadores de um partido criado para defender os interesses de uma classe que não tinha a mais remota representatividade, numa época em que ainda se respirava a atmosfera da ditadura militar. Porque amargou três derrotas ao cargo de presidente da República – e não desistiu. Porque conseguiu alcançar o que desejava – e repetiu o feito. Porque teve iniciativas inéditas, corajosas e humanitárias – quem antes olhou tão de perto para a fome e a miséria no país? Porque, com seus acertos e erros, esse homem tem uma história.
Foi pensando nessas coisas que deixei que as lágrimas que me irromperam naquela hora corressem livremente, eu sabia exatamente por que estava chorando e não me envergonhava disso.
Nesse momento, a primeira-dama do Estado, Marlúcia Cândida, com quem já tive oportunidade de trabalhar algumas vezes, posicionou-se ao meu lado e me cumprimentou. Ao perceber minha comoção, pegou-me pela mão, levou-me até ele e me apresentou.
Lula me deu um abraço carinhoso e depois, talvez sugestionado pelo meu biótipo sulista, perguntou-me se eu morava no Acre – e há  quanto tempo. Respondi que havia mais de três anos e que era de Curitiba. “Está gostando daqui?”, perguntou. Eu disse que sim, que havia uma qualidade muito especial nas pessoas, referindo-me à afetividade e à vitalidade acreana. Então ele me disse: “É, aqui é outro país.”
Em nosso breve encontro, reparei em sua capacidade de concentração. No tempo em que falou comigo, sua atenção estava completamente centrada na nossa conversa. Não detectei ansiedade ou pressa, senti que ele se entregava à sua tarefa de contatar o povo com tranquilidade e prazer. É, inegavelmente, portador de um carisma de marca maior.
Se acho o Lula perfeito? Claro que não! Nem concordo com tudo o que ele fez ou diz. Mas, a despeito de todas as polêmicas e escândalos, que, como a maioria dos brasileiros, também desejo ver esclarecidos e sanados – aliás, sejam de que partidos forem –, não tenho coragem de negar o significativo serviço que esse cidadão prestou ao Brasil.
Neste país há muito por ser trabalhado, muito a ser aprimorado, e, certamente, muito a ser reconsiderado, porque, afinal, tudo o que já vivemos e estamos vivendo faz parte do processo democrático e, para além disso, do processo evolutivo humano.
Entretanto, se observarmos a história brasileira no último século, há grandes conquistas. Para a sociedade em geral, para a mulher, para o negro, para o trabalhador, para a criança...
E eu entendo que Luiz Inácio Lula da Silva contribuiu para esse avanço.

 26/08/2013 - 17:19 Onides Bonaccorsi Queiroz 

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