Israel senta para negociar (?!?) com a ANP; EUA denuncia ao mundo um complô contra suas Embaixadas (?!?); golpe de Estado no Egito; atentados terroristas no Iraque, ataques terroristas com armas químicas na Síria e atentados terroristas no Líbano! 
Uma "guerra suja" contra o Mundo Árabe e seu povo.


Por * Maristela R. Santos Pinheiro


O povo do Egito vive o drama de um massacre em massa promovido pelo golpe militar, apoiado pelos EUA e sua base militar no Mundo Árabe, Israel. O exército atira sem dó nem piedade em todos que se insurgem contra seu domínio e  não perguntam a religião das pessoas.

A República da  Síria envolvida na  guerra  suja que o imperialismo-sionista lhe impõe, desde 2011, estava, neste momento,  num processo de vitórias militares contra os mercenários e de avanços fantásticos na pauta popular apresentada pelos movimentos sociais, lá no início, para a construção da unidade necessária para o  enfrentamento que se seguiu.

Parecia impossível vencer a unidade e determinação do povo sírio que junto com o exército regular vem combatendo os mercenários de diversas nacionalidades, plantados no terreno para fomentar a guerra civil, o sectarismo religioso e praticar as piores atrocidades que se tem notícias, como comer o coração de um jovem soldado do exército capturado, matar famílias inteiras porque não quiseram cooperar, enfim... .

Nestes dois anos o povo sírio vem sofrendo todos os dramas de um povo invadido pelo imperialismo-sionista. Contudo, tem demonstrado uma força e uma unidade para além de suas diferentes  religiosidades. Esse fato é , definitivamente, o garantidor da vitória que despontava no horizonte.

Durante estes dois anos, mesmo quando as forças inimigas estiveram militarmente numa situação mais favorável, dominando algumas cidades, o governo da República da Síria foi incapaz de fazer uso do armamento químico. Em inúmeras vezes, o governo  denunciou nas Nações Unidas a prisão de mercenários estrangeiros, a apreensão de armas nas suas fronteiras e o interesse das monarquias do golfo, aliadas estratégicas dos EUA e de Israel, em desestabilizar e destruir  a Síria, tal qual fizeram com  Iraque, o   Afeganistão e a Líbia. Mas, obviamente, todo seu esforço não surtiu efeito. A ONU não é imparcial. Tão pouco, neste âmbito, os EUA lograram exito total, mas apenas porque os interesses geopolíticos da  Rússia  e China na região dificultaram a entrada da OTAN.

Logo, as perguntas afloram imediatamente  ao ler o noticiário liberal da mídia corporativa, que reproduz a  acusação dos governos dos Estados Unidos da América, Israel, França e Inglaterra  de que  o governo sírio assassinou  sua própria população com um ataque de armas químicas, em um bairro de Damasco, capital do país, na presença da Comissão da ONU, que chegou horas antes do ataque químico!? No mínimo estranho!

1- Por que um  governo que  teve seu prestigio popular aumentado pela condução da "guerra" contra os mercenários do imperialismo-sionista, faria isso? Assad é aclamado nas ruas de Damasco. Se vier candidato nas próximas eleições de 2014, estima-se que venceria com mais de 65% dos votos.

2- Por que um governo que tinha atualmente absoluto controle militar  da situação, reconquistando todas as posições dos mercenários, faria isso? Iria arriscar perder tudo que conquistou nesses dois anos, a troco do que?

3 - Por que um governo que ajudou a formatar o bloco árabe anti-imperialista - Síria-Palestina-Líbano -, o que lhe rendeu inclusive a ajuda militar do Hezbolah nesta maldita  "guerra" contra o povo sírio, faria isso contra seu próprio povo?

4 - Por que um governo que estava recebendo, por vontade própria, a equipe da ONU, justamente para averiguar sobre a utilização de armas químicas na "guerra", faria isso? A equipe da ONU havia chegado há poucas  horas em Damasco e se encontrava  próximo do local do ataque.

5 - Porque, segundo um vídeo na internet,   neste maldito ataque ao povo só morreram crianças e civis e não os mercenários, particularmente, os alvos de um ataque do governo?

7- Por que em Damasco? Cidade que  o governo tem total controle da área e a equipe da ONU acabara de chegar. Quem deseja justificar uma invasão da OTAN no país?
Quem tem interesse em acusar o governo legítimo da Síria por essa atrocidade? Por acaso serão os EUA, ou Israel, ou a União Européia? Por que será? Qual o interesse na região? Por acaso tem haver com a recente descoberta da enorme jazida de  gás? Ou tem haver com a construção do gasoduto para Europa?  Ou tem haver com uma escalada até o Irã?  leia sobre o assunto no endereço abaixo:
http://somostodospalestinos.blogspot.com.br/2012/07/siria-centro-da-guerra-pelo-gas.html

Os EUA e Israel e as monarquias do Golfo não toleram e não escondem sua intenção de destruir o bloco aintiimperialista organizado a partir da Síria, Palestina e Líbano, com o Hezbolah . Contra essa resistência uma montanha de mentiras são veiculadas na mídia corporativa e sionista mundo afora. Uma chuva de atentados terroristas de falsas bandeiras plantadas pela MOSSAD e CIA são forjadas para fomentar intrigas religiosas e dividir o povo local.

Os jornais e as tvs não cansam de repetir a falsa acusação contra o governo sírio, mesmo quando deixam escapar  alguma reflexão crítica, ou  são confrontados com provas que mostram que os vídeos sobre o suposto ataque foram colocados na internet  várias horas antes que o ataque químico acontecesse, deixando claro, neste caso, que se trata de uma ação planejada de antemão.

Quando até na mídia corporativa e pró sionista aparecem declarações do tipo: 
"Em primeiro lugar, o momento é estranho, beirando a suspeita", escreve o correspondente de segurança da BBC Frank Gardner. "Por que o governo Assad, que foi recentemente retomando territórios dos rebeldes, realizaria um ataque químico, enquanto os inspetores de armas da ONU estão no país?" 

Suas suspeitas são compartilhadas por diplomata sueco e ex-inspetor de armas da ONU Rolf Ekeus, que disse à Reuters: 
"Seria muito estranho se fosse o governo a fazer isso no exato momento em que os inspetores internacionais estão no país .... pelo menos, não seria muito inteligente. "

Mas , claro , há aqueles que querem acreditar na versão do "Observatório Sírio de Direitos Humanos", uma ONG, sediada na Inglaterra, que defende os interesses do capital imperialista na região e seus mercenários, como o "Exército Livre da Síria", que de livre não tem nada, graças aos seus compromissos com EUA e Israel. Há , ainda, os que tem uma grande ilusão na ONU, como se essa organização estivesse livre e acima de todos. Lamento, mas não é bem assim que a banda toca. A ONU tem partido, aliás, é bom que todos os anônimos saibam, todas as classes tem partido e todas as organizações também. Não existe o limbo, ou Shangrila, lamento.

Não há muitas escolhas a serem feitas:
Acreditar nas manipulações do imperialismo para justificar a invasão perante a  "opinião pública", não necessariamente com o apoio explicito da ONU -  lembremos das não encontradas armas químicas do Iraque -  significa apoiar a invasão e destruição da República da Síria. Significa um cheque em branco e assinado  aos EUA e Israel para o domínio completo do Mundo Árabe, incluindo aí a Palestina. Mas importante, significa apoiar a destruição e morte em massa do povo sírio.

* Por Maristela R. dos Santos Pinheiro  – Cientista Social, mestranda em História /UFF, militante internacionalista do Comitê de Solidariedade à Luta do Povo Palestino e da Agenda Colômbia. Militante do PCB

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