Números de profissionais em oito regiões da capital é menor do que em 2009

Das 8 regiões, 6 estão a mais de 20 km do centro; redução ocorreu apesar de salários de até R$ 14.600 ao mês

Na tarde da última sexta, a dona de casa Diana Alves dos Santos, 21, deixava uma unidade de saúde na zona leste de São Paulo levando nos braços o filho Kauã, três meses, enrolado em um cobertor.

Desolada e sem dinheiro, planejava caminhar sob garoa fina e vento forte pelos 2,4 km que separam a AMA (Assistência Médica Ambulatorial) Castro Alves, onde estava, do hospital Cidade Tiradentes.

Kauã acordou com bolinhas no corpo, tosse e "amuado". Na AMA Castro Alves não havia pediatras. Os pais que ali chegavam eram orientados a procurar o hospital, onde a espera era de até 2h30 na tarde da mesma sexta.

No prédio da AMA, também funciona uma UBS (Unidade Básica de Saúde), onde é possível marcar as consultas de rotina. Mas quem quisesse ser atendido pelo único ginecologista dali teria que esperar, pelo menos, até outubro.

"Quem não tem dinheiro para passar no médico está lascado", desabafava a aposentada Anita dos Santos, 70, que também usa o sistema público de saúde na região. "Parece que as coisas pioraram nos últimos anos".

A impressão da piora da aposentada tem sustentação.

Levantamento da Folha feito com base em dados da prefeitura mostra que algumas áreas periféricas perderam médicos nos últimos quatro anos --ainda que a média de médicos em AMAs e UBSs na cidade tenha aumentado 18% no período.

Dos 24 distritos de saúde da cidade (que se assemelham à distribuição das subprefeituras), oito tiveram redução de médicos desde 2009 --quando as OSs (Organizações Sociais) já estavam consolidadas na administração de unidades de saúde municipais.

Desses oito, seis ficam a mais de 20km do centro.

A zona leste foi a mais prejudicada: tem, hoje, 10% menos médicos trabalhando.

Um dos argumentos do ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD) para as parcerias com OSs era, justamente, a facilidade que elas teriam para contratar médicos.

Isso porque, ao contrário do poder público, as instituições poderiam pagar salários maiores na periferia.

Segundo a prefeitura, o salário base pago pelas OSs vai de R$ 10.390 a R$ 12.770 (jornada de 40h semanais). A prefeitura paga R$ 4.200 (20h).

E o valor pago pelas OSs aumenta mais na periferia.

A Santa Marcelina, que gere unidades em Cidade Tiradentes, Guaianases e Itaim Paulista, paga até R$ 14.600 nas áreas mais distantes. No Itaim Paulista, a 35 km do centro de carro, foi onde a proporção de médicos mais caiu. As informações são do jornal Folha de São Paulo

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